quinta-feira, 7 de junho de 2012

memória da memória...


Não há quem não feche os olhos ao cantar a música favorita. 
Não há quem não feche os olhos ao beijar, 
não há quem não feche os olhos ao abraçar. 
Fechamos os olhos para garantir a memória da memória. 
É ali que a vida entra e perdura, 
naquela escuridão mínima, no avesso das pálpebras.
 Concentramo-nos para segurar a dispersão, 
para segurar a barca ao calor do remo.
 O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. 
Os cílios se mexem como pedais da memória. 
Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível. 
Viver é boiar, recordar é nadar."

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